Quinze anos de canções
Cantor e compositor estreia no Circo Voador o show 'Silva Canta/Canta Silva', que revisita sucessos como 'Fica Tudo Bem' e 'A Cor é Rosa' em formato intimista
Affonso Nunes
OCirco Voador recebe, nesta sexta-feira (6) a estreia carioca de "Silva Canta/Canta Silva", show em que o cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista capixaba celebra 15 anos de carreira revisitando o próprio repertório. Ela canta e toca violão, piano, sintetizador e violino, acompanhado por Gabriel Ruy (bateria e programações), Hugo Maciel (baixo) e Rômulo Quinelato (guitarra).
A trajetória do artista começou na internet, com um EP lançado em 2011, e cresceu até os treze álbuns no catálogo — sete deles autorais, de "Claridão" (2012) a "Rolidei" (2026), passando por "Vista Pro Mar" (2014), "Júpiter" (2015), "Brasileiro" (2018), "Cinco" (2020) e "Encantado" (2024) —, além de turnês nacionais e internacionais, indicações ao Grammy Latino pelas releituras e o fenômeno do Bloco do Silva.
Seu maior mérito musical é o de tornar simples aquilo que parece ser complexo. As parcerias que acumulou confirmam seu alcance como "Totalmente Seu", escrita com Marisa Monte e Lucas Silva, e "Palavras no Corpo", feita com Omar Salomão e gravada por Gal Costa.
O marco dos quinze anos foi o gatilho do projeto. "Essa coisa de comemoração é engraçada, né? Porque a gente vai fazendo tanta coisa. Você lança um disco, aí, daqui a pouquinho, você tem uma ideia nova… nunca tirei férias", brinca o cantor, cujo nome de batismo é Lúcio Silva de Souza. "Aí quando você fala: 'Pô, vai fazer 15 anos desde que nasceu meu EP', eu tinha que fazer algo especial."
Nos ensaios, a revisita trouxe surpresas. "Muita coisa que eu não toco desde 2014. Tem coisa que eu nunca mais toquei. E, nessa revisita, eu toquei violino de novo. Fazia muito tempo — meu violino tava pegando teia de aranha", conta. O formato intimista, escolhido depois de anos de palcos grandes, tem razão própria: "No show intimista, você consegue ter a resposta do público quase que instantânea. Você tá tocando aqui e sabe exatamente se o público gostou ou não. Tem uma troca de verdade."
O repertório é essencialmente autoral e percorre canções que aproximaram sua música de diferentes gerações: "Feliz e Ponto", "A Cor é Rosa", "Fica Tudo Bem", "Girassóis", "Brisa", "Júpiter" e "Um Pôr do Sol na Praia", entre outras. A escolha exigiu cortes. "Eu ainda tenho vários arrependimentos, inclusive. Também não dá para ficar mudando toda hora, porque todo mundo se prepara, estuda e faz aquilo ficar bonito", reconhece.
A banda, para ele, é parte do resultado. "Eu sou canceriano. Então tenho um carinho, um apego com meus músicos. Essa troca é muito importante para o trabalho não ficar frio", diz.
A temporada já passou por São Paulo e Salvador e segue para Vila Velha depois do Rio. "Quando eu olho para trás e vejo o que eu consegui conquistar com o que eu tinha, é quase um milagre", confessa o cantor, que começou com um sintetizador emprestado e dez mil reais da tia e hoje tem estúdio próprio.
SERVIÇO
SILVA
Circo Voador (Rua dos Arcos, s/nº, Lapa)
6/11, às 22h
Ingressos a partir de R$ 180 e R$ 90 (meia)