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Contagem regressiva para o Ano Maravilha

DC Comics surfa no aniversário de 85 anos da Princesa das Amazonas, prepara uma leva de HQs e cogita novo filme da heroína - sem Gal Gadot

Por Rodrigo Fonseca - Especial para o Correio da Manhã

Em seus 85 anos, a Mulher-Maravilha terá novo live action e várias outras ações em torno da super-heroína, uma referência em empoderamento feminino no universo das HQs

Criada pelo psicólogo William Moulton Marston e pelo ilustrador Harry G. Peter, a Mulher-Maravilha completa 85 anos de existência neste mês de outubro, consolidada como uma das figuras mais importantes da história dos quadrinhos de super-heróis - em especial por seu simbolismo feminista. Sua estreia aconteceu em 21 de outubro de 1941, nas páginas de All Star Comics nº 8, publicação da DC Comics. O aniversário chega acompanhado de uma nova fase comercial da personagem, impulsionada pelo sucesso da linha Absolute (já nas bancas do Brasil) e por uma estratégia de lançamentos que pretende aproximar diferentes gerações de leitores do universo de Diana de Themyscira.

Em terras brasileiras, um dos destaques dessa movimentação é a edição nº 15 de Mulher-Maravilha & Flash, da Panini, que coloca a princesa das Amazonas ao lado de um parceiro pouco provável: Robin. Em uma missão ultrassecreta para resgatar seus companheiros heroicos, Diana se une a Damian Wayne, o filho de Batman (atual Menino-Prodígio), numa tentativa de invadir a prisão de Amanda Waller, outrora líder do Esquadrão Suicida. A operação levanta uma questão decisiva: a dupla conseguirá libertar os aliados ou estará apenas caindo numa armadilha elaborada pela chamada Muralha para capturar a própria Mulher-Maravilha e seu jovem ajudante? O encontro reúne duas personalidades distintas e explora a capacidade da heroína de estabelecer alianças mesmo nas circunstâncias mais perigosas.

A comemoração dos 85 anos também ganha dimensão internacional com a decisão da DC de transformar 2027 no Year of Wonder, ou Ano Maravilha. A iniciativa prevê uma programação especial de histórias em quadrinhos, reunindo nomes consagrados do mercado americano. A partir de 20 de janeiro, "Wonder Woman" nº 41 inaugura uma nova etapa da revista principal, com roteiro de Louise Simonson, que escreverá pela primeira vez a série regular da personagem. O arco terá quatro edições e promete estabelecer uma nova configuração para Diana e seu universo. Na sequência, Stephanie Williams assumirá os roteiros ao lado da artista Elena Casagrande, em uma história planejada para seis números, com publicação até outubro de 2027.

Além das novas aventuras, a DC pretende revisitar momentos importantes da trajetória da heroína por meio da coleção "Get to Know! Wonder Woman", que reunirá seis quadrinhos gratuitos com trabalhos de artistas e roteiristas ligados a diferentes fases da personagem, entre eles Tom King, Daniel Sampere, Greg Rucka, Nicola Scott e Phil Jimenez. A celebração também terá uma dimensão física: uma estátua de bronze da Mulher-Maravilha poderá ser vista na entrada do Warner Bros. Studio Tour Hollywood, em Burbank, na Califórnia. A programação procura reafirmar o lugar de Diana no centro do universo editorial da DC, em um período de renovação de suas histórias e de expansão de seu público.

No mercado brasileiro, a Panini aproveita a efeméride para destacar títulos que atravessam diferentes períodos da mitologia da personagem. Entre eles estão Mulher-Maravilha: O Espírito da Verdade, obra dedicada aos dilemas da heroína diante da humanidade; DC de Ouro: Mulher-Maravilha, que recupera aventuras da fase inicial; e Wonder Woman nº 1 — Fac-Símile, reprodução da primeira edição da revista solo americana, publicada originalmente em 1942. O catálogo inclui ainda Mulher-Maravilha por Mike Deodato Jr., com uma trama em que Diana precisa defender sua posição depois que a rainha Hipólita determina a realização de um novo torneio para escolher a próxima campeã das Amazonas. São caminhos distintos para acompanhar a evolução de uma personagem cuja história combina mitologia, ação e discussões sobre liberdade e justiça.

A força comercial da Mulher-Maravilha também aparece no selo Absolute, linha da DC que apresenta versões alternativas de seus personagens clássicos. O desempenho da heroína nesse universo reforça o interesse por novas interpretações de sua origem e de seus poderes, sem abandonar os elementos fundamentais de sua identidade. Criada durante a Era de Ouro dos quadrinhos, Diana atravessou transformações editoriais, mudanças de linguagem e adaptações para diferentes mídias, mantendo-se como um símbolo de autonomia feminina. Sua trajetória é marcada tanto por confrontos com ameaças sobrenaturais quanto por conflitos políticos e morais, que ampliam o alcance de suas histórias para além das batalhas entre heróis e vilões.

O aniversário também reacende as especulações sobre o futuro audiovisual da personagem, mas sem a atriz Gal Gadot, afogada em polêmicas sionistas. A possibilidade de uma nova intérprete para o papel de Diana no universo cinematográfico da DC tem alimentado rumores em torno da atriz Adria Arjona, embora não haja confirmação oficial de sua escalação. Enquanto o estúdio define os próximos passos da heroína no cinema, os quadrinhos seguem como o principal território para renovar sua mitologia. Entre o encontro improvável com Robin na edição nº 15 de Mulher-Maravilha & Flash, os lançamentos brasileiros da Panini e a programação especial anunciada para 2027, a princesa de Themyscira demonstra que, oito décadas e meia depois de sua estreia, ainda tem muitao bandido pra prender.