MPF fiscaliza a contaminação por agrotóxicos no Xingu, em MT
Órgãos federais cobram medidas após estudos e fiscalizações apontarem contaminação em água, chuva e alimentos
A presença de agrotóxicos na água da chuva, em rios e em alimentos consumidos por comunidades indígenas do Xingu, em Mato Grosso, levou o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União (DPU) a cobrar providências.
Desde a recomendação emitida em outubro de 2025, as operações resultaram em 19 autos de infração e R$ 42,9 milhões em multas, além de medidas sobre aviação agrícola e vigilância em saúde.
Lideranças indígenas relataram contaminação associada ao uso de produtos químicos nas áreas próximas.
Estudos detectaram agrotóxicos em águas superficiais, subterrâneas e de chuva, além de alimentos consumidos pelas comunidades.
Uma tese de doutorado da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), identificou resíduos em 100% das amostras de chuva analisadas em 2024.
No início de 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou a Operação Ceres.
As equipes identificaram armazenamento inadequado, produtos vencidos, descarte irregular de embalagens e resíduos, queima de materiais químicos e pulverização aérea sem licença ambiental.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) identificou 34 operadores aeroagrícolas em nove municípios: 29 com aeronaves tripuladas e cinco com equipamentos remotamente pilotados.
Foram emitidos 11 autos por falhas em relatórios e descumprimento de intimações. Os processos seguem em análise e devem ser encaminhados ao Instituto de Defesa Agropecuária (Indea-MT).
Na saúde, o Ministério da Saúde orientou a implantação da Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA), com equipes capacitadas e planos para identificar e acompanhar intoxicações.
Em março, o Mapa coletou vegetais em pontos de venda ou fornecimento às comunidades de Canarana, Gaúcha do Norte, Querência e São José do Xingu. As amostras foram enviadas para análise.
Também estão previstas estações da Rede Nacional de Monitoramento da Qualidade da Água para detectar agrotóxicos em rios, águas subterrâneas e chuva. O MPF continua solicitando informações aos órgãos responsáveis.