Um relatório da SP Parcerias identificou o descumprimento de 22 obrigações pela Viva o Vale, responsável pela administração do Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo. O documento, com 88 páginas, integra o processo aberto pela Prefeitura que pode resultar no encerramento antecipado do contrato.
A análise já aponta problemas de manutenção e zeladoria. Entre as irregularidades estão banheiros interditados, bebedouros sem água, fontes luminosas fora de operação e grelhas de drenagem danificadas na travessia da Avenida São João. O levantamento também menciona avarias no pavimento causadas pela circulação de veículos, trechos comprometidos do piso tátil e canteiros destruídos.
O relatório questiona ainda o uso comercial da área. A lista reúne bloqueios de acessos públicos por tapumes durante eventos, demora na ativação dos quiosques e a tentativa de instalar um estacionamento sem autorização em área de pedestres, sob o Viaduto do Chá. Moradores do entorno também reclamaram do barulho de festas realizadas à noite e durante a madrugada.
Segundo o levantamento, a concessionária acumula R$ 1,97 milhão em multas administrativas não pagas. As falhas servem de base para o procedimento municipal, que analisa se houve infrações suficientes para justificar a rescisão. A medida depende das etapas administrativas e da garantia de defesa à empresa.
A gestão do Vale foi transferida à iniciativa privada em 2021, depois de uma reforma municipal que custou R$ 105 milhões. O contrato, firmado por dez anos, prevê que a Viva o Vale cuide da manutenção, preservação, segurança e ativação sociocultural do espaço. Em contrapartida, a empresa pode explorar a área por meio de eventos e serviços.
A concessionária contesta a existência de falhas repetidas. Em manifestação à Prefeitura, afirmou que o modelo enfrenta limitações por envolver um espaço público aberto e citou as condições em que recebeu as áreas. Também defendeu que eventuais problemas sejam informados de forma específica e acompanhados de prazo para correção.
A Viva o Vale declarou estar disponível para discutir soluções e ajustes no contrato. A empresa sustenta que os eventos noturnos não são proibidos pelo acordo. O processo deverá avaliar os apontamentos e a resposta da concessionária antes de uma decisão definitiva.
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