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Christian Lohbauer, um dos fundadores do Novo, prevê crise fiscal em 2027

Por Raquel Valli

Cientista político Christian Lohbauer, um dos fundadores do Partido Novo, durante palestra no Ciesp-Campinas sobre o panorama político-econômico pós-eleições

O cientista político Christian Lohbauer, um dos fundadores do Partido Novo, avalia que o Brasil enfrenta um quadro de fragilidade institucional, polarização política e deterioração das contas públicas, com risco de uma crise fiscal em 2027. As perspectivas políticas e econômicas foram tema da palestra “O Brasil pós-eleição e o panorama econômico 2027”, ministrada nesta quinta-feira (5) na sede do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Campinas (SP).

Sobre o resultado das urnas no segundo turno, Lohbauer atribui a vitória da esquerda ao montante financeiro da União utilizado na reta final da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "O que explica muito a tal da virada é o fato de que foram despejados R$ 400 bilhões em benesses para todo tipo de coisa que pudesse deixar as pessoas atraídas pelo governo atual. E se pode chamar de virada porque você tem milhões de pessoas que não votaram no primeiro turno e votaram no segundo - entre outras coisas. Trocaram o voto. Um milhão de brasileiros trocou de lado, vamos dizer assim."

Ao analisar o cenário político, Lohbauer aponta, entre outros aspectos, a instabilidade das instituições, o aumento da criminalidade e a insegurança jurídica. "As pessoas têm as suas opiniões, são livres para votar em quem quiserem, mas a explicação é o jogo bruto, com ações do governo atual, que são inconstitucionais. É um processo de alteração institucional. Não preciso fazer discurso aqui sobre o que está acontecendo no Judiciário já há alguns anos, e o processo eleitoral foi mais uma vez vítima desse processo".

RonconGraca Com - Público na palestra "O Brasil pós-eleição e o panorama econômico 2027"



Em relação aos rumores de fraude nas urnas, declara: "não tenho problema com o nosso método de eleição. Nunca comprei essa conversa. Não acredito em nada disso". 
Quanto ao fato da terceira via não ter conseguido furar a bolha, pontua que o pleito foi uma oportunidade para superar a divisão, mas que nenhum dos nomes apresentados ultrapassou 10% das intenções de voto, mesmo com Caiado (PSD) contando com a estrutura partidária de Kassab, que administra cerca de mil prefeituras. 

Lohbauer lembra que a fragmentação do eleitorado é reforçada pelos algoritmos, que estimulam a lógica de confronto entre grupos. “A rede social promove a bipolaridade, o Fla-Flu, o nós contra eles”. O fenômeno, acrescenta, também ajuda a explicar a eleição de deputados e senadores com votações expressivas, impulsionadas pela mobilização digital.

No campo econômico, alerta para o crescimento da dívida pública, a persistência do déficit nominal e a expansão dos gastos governamentais. A combinação desses fatores, somada aos juros elevados e à demora na implementação de reformas estruturais, pode levar o país a uma crise fiscal em 2027. Diante da lentidão estrutural nas mudanças institucionais, conclui que "O Brasil tem jeito". Mas, que, talvez, "a gente não veja, porque já faz 40 anos que a gente não cresce".

O que fazer? 

Lohbauer palestrou no Ciesp-Campinas por indicação do ex-deputado federal Alexis Fonteyne (Novo-SP), que é campineiro e empresário, e que também prevê um período turbulento para o Brasil. "Nós ficamos com uma inflação pressionada por uma economia expansionista de um governo que fica emprestando dinheiro, ou dando dinheiro pra todo mundo, e taxa de juros altos. É o pior dos dos dos cenários econômicos possíveis e imagináveis".

Em relação ao que as empresas devem fazer, Alexis aconselha: "protejam o caixa, não se endividem, não alavanquem. Cuidado ao fazer investimentos, porque o retorno tem que ser maior do que o de uma aplicação sem risco nenhum, que hoje está pagando 15, 16% ao ano. Ou seja, nós estamos freando o Brasil, e as empresas têm que tomar muito cuidado com isso".

Quanto à política de Campinas, afirma que "vai ser bem interessante daqui a dois anos porque temos um vice (prefeito) que é de esquerda e que tem pretensões (a ser prefeito), mas, por outro lado, a cidade é claramente de direita, votou majoritariamente no Flávio (Bolsonaro, para presidente) e é uma cidade conservadora, que não não se aventura".

Sobre os possíveis nomes de direita, descarta ser candidato, afirmando que já "dependurou as chuteiras", mas, que "a família Santini seria uma família, que, talvez, tivesse um protagonismo maior, caso Flávio tivesse sido eleito". 

Raquel Valli - Da esq.p/dir.: Alexis Fonteyne, Christian Lohbauer e o diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa