☰
✕

Polícia Civil do PR realiza megaoperação interestadual

Foram 215 mandados judiciais cumpridos e 500 agentes mobilizados

Por

De dentro dos presídios, organização ordenava crimes em três estados

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) cumpriu ontem (14) 215 mandados judiciais contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos.

A ação, realizada com o Ministério Público do Paraná (MPPR), ocorreu no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo. Foram 95 mandados de prisão e 120 de busca e apreensão, com mais de 500 policiais mobilizados.

A operação contou com apoio da Polícia Militar do Paraná (PMPR), da Polícia Penal do Paraná (PPPR), da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) e da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP).

A Justiça autorizou a quebra do sigilo bancário de contas usadas pelo grupo e o acesso aos dados de aparelhos eletrônicos apreendidos.

No Paraná, os mandados foram cumpridos em 20 municípios, entre eles Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Cascavel e Curitiba.

A ação também ocorreu nas cidades de Abelardo Luz (SC), São Carlos e Cotia (SP).

A investigação começou em Clevelândia, no Sudoeste do Paraná, após crimes violentos atribuídos ao grupo, como tortura e cárcere privado de pessoas acusadas de traição. Integrantes também cobravam dívidas do tráfico por meio de ameaças.

Segundo a PCPR, a organização transportava drogas entre cidades, guardava os entorpecentes em depósitos e controlava pontos de venda à distância. As lideranças do grupo negociavam grandes quantidades de cocaína, crack e maconha para revenda em diferentes regiões.

Os investigadores chegaram a celulares clandestinos apreendidos em uma penitenciária do Sudoeste do estado. Os dados dos aparelhos indicaram que o comando partia do sistema prisional e que as ordens eram repassadas a integrantes nas ruas.

Dentro das unidades, a facção distribuía funções, fiscalizava regras, julgava presos infratores e aplicava castigos físicos. Outros membros escondiam e faziam circular celulares e roteadores entre as celas para manter contato com o exterior. Fora dos presídios, familiares e colaboradores davam suporte, inclusive levando drogas escondidas no corpo durante visitas.

A investigação também apura a movimentação dos valores obtidos com o tráfico, feita por familiares de presos.