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A maior representação democrática: o voto

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A descrença na política brasileira é compreensível. Escândalos, promessas não cumpridas, disputas cada vez mais agressivas e a distância entre representantes e cidadãos alimentam a sensação de que votar pouco muda. Mas é justamente nesse ambiente de desencanto que a abstenção elevada se torna um problema que merece atenção.

Em uma eleição na qual o voto é obrigatório, deixar de comparecer às urnas não deveria ser tratado apenas como uma decisão individual. A ausência em massa reduz a participação efetiva da sociedade na escolha de seus representantes e amplia a distância entre as instituições e aqueles que deveriam ser sua principal referência: os cidadãos.

O desafio, portanto, não é simplesmente convencer o eleitor a votar. É reconstruir as razões para que ele queira participar. E essa responsabilidade não pode ser transferida ao eleitor. Cabe aos partidos e às campanhas fazer sua parte.

Isso começa por campanhas menos centradas em ataques e mais interessadas em apresentar propostas concretas. O eleitor precisa saber o que cada candidatura pretende fazer, quanto custará, quais serão as prioridades e como suas promessas poderão ser cobradas. Debates devem servir à comparação de ideias, não apenas à produção de conflitos. A comunicação eleitoral também precisa abandonar a linguagem excessivamente técnica ou vazia e dialogar com os problemas reais da população.

Partidos, por sua vez, devem compreender que o estímulo à participação não termina no dia da eleição. Transparência, prestação de contas, formação política e presença permanente nas comunidades são instrumentos para recuperar a confiança perdida. Campanhas também precisam combater a desinformação e explicar, de maneira simples, como votar, quais cargos estão em disputa e por que cada escolha produz consequências concretas.

Nada disso significa exigir que o eleitor confie cegamente na política ou em qualquer candidato. Significa reconhecer que a democracia depende também da participação de quem desconfia dela. O voto pode ser crítico, exigente e até acompanhado de protesto dentro das regras democráticas.

Se os índices de abstenção crescerem, partidos e campanhas não poderão simplesmente culpar a apatia do eleitor. A pergunta mais importante será outra: o que fizeram para merecer sua atenção? Em uma democracia, conquistar o voto é também conquistar a disposição do cidadão de acreditar que sua participação ainda vale a pena.