O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não recomenda, neste momento, a transferência do Carro Imperial, conhecido como Vagão de Dom Pedro II, para o Museu Imperial de Petrópolis. Em resposta ao Correio Petropolitano, o órgão informou que a peça está em bom estado de conservação e que a prioridade é garantir a preservação e a recuperação do conjunto histórico do Museu do Trem, localizado em Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
A manifestação do Iphan ocorre em meio à mobilização por uma destinação considerada mais segura para o Carro Imperial. Uma petição pública solicita a transferência da peça para o Museu Imperial de Petrópolis e registrava 733 assinaturas até quarta-feira, dia 14 de outubro. O documento sustenta que, após o encerramento do Museu do Trem, o vagão estaria vulnerável à exposição às intempéries, à degradação e a possíveis saques.
No entanto, segundo o Iphan, foram concluídos o Plano Museológico do Museu do Trem e o inventário do acervo, organizado em um banco de dados específico. O trabalho também incluiu ações de acondicionamento e higienização de materiais em suporte de papel, permitindo avaliar as condições de conservação e segurança das peças e subsidiar a elaboração de um projeto de restauração.
O instituto informou ainda que o Carro Imperial passa por higienização periódica e que as peças do museu são vistoriadas conforme o planejamento anual. A inspeção mais recente ocorreu em julho de 2026.
Preservação no local de origem
Ao comentar a possibilidade de transferência para Petrópolis, o Iphan afirmou que não há recomendação técnica, no momento, para retirar o Carro Imperial ou outros bens de alto valor histórico do Museu do Trem. Segundo o órgão, a atuação institucional busca criar condições que "permitam a preservação, recuperação e restauração do conjunto dos carros ferroviários e dos demais bens que integram o acervo do Museu".
Para o instituto, manter as peças no museu de referência permite preservar a unidade histórica, museológica e simbólica entre os objetos e o espaço que lhes confere significado público. O Iphan também destaca a importância do Museu do Trem para a memória, a história e a identidade do bairro de Engenho de Dentro e da comunidade.
Na avaliação do órgão, a transferência de bens culturais de excepcional relevância deve ser considerada uma medida "extrema e excepcional". Por isso, a prioridade é fortalecer o próprio museu e garantir a preservação do patrimônio ferroviário no local.
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