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Único voto contrário ao fim da escala 6x1, Hamilton Mourão justifica decisão: 'Não negocio minhas convicções'

O senador disse que foi surpreendido ao ver que ficou sozinho ao votar contra. 'Tinha esperança de pelo menos uns 10, 12'

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Hamilton Mourão

Único a votar contrário ao fim da escala 6x1, aprovada nesta quarta-feira (14) com 75 votos a favor,  o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) justificou sua decisão na manhã de hoje (15). 

"Eu não negocio minhas convicções. Eu tenho uma biografia, tenho honra, valores. Eu acho que na política tem uma linha limite, que na linguagem militar chama de a 'última linha de defesa', daqui eu não recuo mais. A minha foi atingida nesse caso, daqui eu não recuo", defendeu, em entrevista à Rádio Gaúcha.

O general disse que sempre foi contrário à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da forma que ela se apresentava, e não mudaria de ideia agora. 

"Eu passei o tempo todo mostrando o que iria acontecer com a aprovação desse projeto, eu não posso na hora h e dizer: 'Não, agora, independente se eu vou ser eleito ou não'. É uma realidade que temos que compreender", concluiu.

Ele voltou a usar como exemplo sua casa, onde tem uma funcionária que trabalha quatro dias por semana. "A produtividade dela permite que em quatro dias ela cumpra tudo aquilo que faria se tivesse que trabalhar a jornada de 44 horas. É um acordo", falou.

Surpresa ao ser o único a votar contra

O senador disse que foi surpreendido ao ver que foi o único a votar contrário ao fim da escala 6x1. "Eu tinha esperança de pelo menos ali uns 10, 12, estivessem comigo nessa votação". Acho que alguns tinham o compromisso a favor do projeto, mas outros nem tanto, não precisavam. E que fizeram parte comigo ao longo desses quatro anos da oposição ao governo Lula e tivemos a mesma posição ao longo desse período.

Mourão disse que tem recebido apoio, apesar das críticas também estarem chegando nas redes sociais. "Não fiquei sozinho, pois tenho recebido uma quantidade enorme de apoios da nossa população, nas nossas redes, de diversos setores. Óbvio que tem gente que quer jogar um tamanco na minha cabeça, mas tem bastante gente que me cumprimentou. Cheguei hoje na academia hoje (quinta) de manhã, aqui em Brasília, todo mundo me cumprimentando, me abraçando, dizendo que eu fui coerente, que eu fiz o que tinha que fazer. Cumpri minha tarefa como senador".

O senador admitiu que há benefícios com o projeto aprovado, mas que também terão consequências, e que poderão abrir caminho para alterações, como a que o candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), defende, proposta por Rogério Marinho (PL-RN). E que o governo atual foi outro grande beneficiado com a passagem da PEC.

"As consequências virão e irão prejudicar o próprio trabalhador que estamos tentando melhorar a vida (...). O governo foi o que colocou esse bode na sala e ele que foi o dono do discurso. Por isso largou na frente desse assunto".