Câmeras instaladas na asa-delta estão sendo analisadas pelo Clube São Conrado de Voo Livre (CSCVL) para esclarecer as causas do acidente que matou o instrutor de voo Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos, 45 anos, e o turista argentino Adrian Guillermo Arismendi, 26 anos. O caso é investigado pela 15ª DP (Gávea), que fará uma perícia no equipamento usado pela dupla nesta terça-feira (3) e aguarda o laudo da análise pela CSCVL das imagens.
"O clube tem técnica e respaldo para fazer um laudo, validado pela Anac [Agência Nacional de Aviação Civil]. As imagens vão ajudar na elaboração do laudo e posteriormente será usado por nós na investigação, auxiliar como prova", explicou a delegada Daniela Terra, responsável pela investigação policial.
O relatório do Clube São Conrado de Voo Livre deve ficar pronto nos próximos dias. A perícia na asa-delta será conduzida por peritos da Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), na sede do clube em São Conrado. Os voos no clube estão suspensos por tempo indeterminado.
Dirigente de clube de voo livre aponta 'imperícia' de instrutor
Em entrevista À TV Globo, o vice-presidente do CSCVL, José Bruno Batalha Menescal Filho, disse que pelos relatos de quem presenciou o voo, o acidente foi causado por imperícia do instrutor. Ele alega que eram boas as condições de voo.
Em depoimento à polícia, ele disse que estava no campo de pouso quando a asa-delta fez uma curva a baixa altura, glissou (deslizou) e atingiu o muro do calçadão da orla, que fica na faixa de areia e abaixo da pista de pouso.
Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos tinha 45 anos, foi piloto do clube por 10 anos e há cerca de um ano alcançou o nível de instrutor. Seu nome não consta na lista de instrutores de voo no site da CSCVL.
Apesar da indicação do dirigente de que tenha ocorrido erro humano, a delegada disse que aguarda o desenrolar da investigação. "Temos que esperar as provas, mais depoimentos. As imagens são muito importantes para a investigação", defende.
Voo comercial proibido, mas não fiscalizado
A Agência Nacional de Aviação (Anac) proíbe os voos duplos com fins lucrativos, mas não fiscaliza a atividade. A fiscalização é realizada pela Associação Brasileira de Voo Livre (ABVL), que é monitorada pela Anac.
A Anac não emite ou exige habilitação para a prática de esportes radicais, mas recomenda que qualquer interessado em praticar voo livre se habilite por meio de associações aerodesportivas reconhecidas pela comunidade praticante.
Menu