Cidades

MEP produz estudo para avaliar participação da juventude de Volta Redonda na política

Análise pretende entender o olhar dos jovens e aumentar seu interesse no tema

MEP produz estudo para avaliar participação da juventude de Volta Redonda na política
Conselheiro do Movimento Ética na Política (MEP-VR), Zézinho, falou sobre pesquisa ao Correio Sul Fluminense Crédito: Ana Luiza Rossi/CSF

Com a aproximação das Eleições de 2026, as discussões sobre a atuação dos jovens na política está se intensificando cada vez mais na esfera pública. A atenção ao interesse da faixa etária em assuntos de interesse público cresce a partir da publicação de dados recentes, que mostram um afastamento desse grupo tanto das urnas, quanto de movimentos sociais e partidos.

Em resposta a esse debate, o Movimento Ética da Política (MEP) decidiu fazer um estudo entre os jovens de Volta Redonda, dentro do recorte dos alunos do Pré-Vestibular Cidadão promovido pela organização, para entender como é o cenário da juventude municipal e promover ações de educação política à faixa etária.

Avaliações e resultados

O MEP realizou uma consulta com 65 estudantes dos polos Califórnia, Niterói e Retiro, na faixa etária de 16 a 24 anos. Feita por meio de mensagens individualizadas pelo WhatsApp, a iniciativa procurou conhecer como os jovens estão vivenciando sua aproximação com o processo eleitoral. Mais da metade do grupo votará pela primeira vez em 2026, totalizando 34 alunos que ainda não tiveram vivência no processo eleitoral. Entre a parcela restante, nove alunos votarão pela segunda vez; seis ainda não possuem título eleitoral; e 16 não responderam à pesquisa. O conselheiro do MEP José Maria da Silva, mais conhecido como "Zezinho", explica que os alunos que ainda não têm título fizeram a escolha por motivos variados; alguns não se atentaram ao prazo, enquanto outros optarem por esperar a maioridade para votar.

Zezinho conta que a avaliação do MEP permitiu perceber que o peso do primeiro voto não é igual para todos os jovens. No recorte do Pré-Vestibular Cidadão, poucos são os estudantes que demonstram interesse em debater sobre política ou ter participação ativa, fazendo parte de grêmios e movimentos sociais. Para o conselheiro, um dos fatores que motiva esse afastamento é o fato da realidade política brasileira não projetar a política como um serviço que é feito à comunidade, levando os jovens à interpretação de que o voto deve ser motivado apenas por razões pessoais, e não pela busca do desenvolvimento coletivo.

Entre a parcela dos alunos que votarão pela segunda vez neste ano, o comportamento apresenta diferenças: Zezinho avalia que o grupo teve mais oportunidades de perceber como os conhecimentos políticos adquiridos nas escolas e em casa se contrapõem à realidade em que vivem, sendo mais capazes de avaliar e tomar decisões de voto. Entretanto, mesmo com maior maturidade, os alunos ainda demonstram certa falta de conhecimento em como funcionam os processos políticos.

— É interessante perceber que estes que estão mais maduros ainda têm dificuldade de ver o ranqueamento de tantos nomes a serem escolhido na eleição geral, porque a primeira referência deles foram as Eleições Municipais. Quando o aluno tem mais de dois nomes para listar, ele não entende, por exemplo, o porquê de precisar votar em dois senadores. [Falta] entender, também, que precisam fazer uma escolha para além da sua cidade — acrescenta Zezinho.

Mudança de perspectiva

Conforme avaliado por Zezinho, tanto o interesse quanto a falta de atenção dos jovens aos assuntos políticos são provocadas pela "efervescência" do cenário político atual no Brasil, que instala dúvidas a partir da polarização das discussões sociais e do grande volume de informações que circulam nas redes sociais. Nesse ponto, Zezinho enfatiza que conflitos entre os atuais representantes brasileiros também colaboram para "desequilibrar" a visão do eleitorado jovem, citando como exemplo a atual polêmica que percorre o Supremo Tribunal Federal (STF). "[Os representantes] não têm demonstrado muito encanto com a política, que é um bem maior a todos; não é individual. Parece que [a política] está ficando mais localizada a um campo de projeção pessoal, não de serviço à comunidade. Os jovens percebem isso". O conselheiro não descarta, ainda, a influência do eleitorado mais velho na percepção da juventude; este grupo, para ele, estaria em diferentes estados de letargia, descrença ou radicalidade em relação à política.

Na visão de toda a equipe do MEP, a atuação de ambientes educacionais na formação cidadã e política dos jovens é fundamental para contribuir com a melhora deste cenário. Este trabalho, para a organização, não pode se reduzir apenas ao período eleitoral, se estendendo a todos os anos de educação do aluno. Como exemplo, Zezinho contou que os professores do Pré-Vestibular Cidadão do MEP buscam despertar esses conhecimentos ao garantir a presença de matérias como Sociologia e Filosofia na grade, além de investir em atividades práticas: uma delas foi uma visita educativa realizada em pontos estratégicos de Volta Redonda - como a Câmara, a Prefeitura e a Justiça Eleitoral, para que os estudantes pudessem conhecer os aparelhos de Estado e suas atribuições, além do próprio espaço urbano da cidade.

Zezinho reforça que esse tipo de auxílio já demonstrou resultados entre os próprios alunos do MEP, que passaram a demonstrar mais disposição para pesquisar, avaliar e refletir antes de votar. "Existe um segundo momento em que eles entendem; aí é uma beleza. Eles compreendem que é preciso escolher o Executivo que seja comprometido com as questões de segurança, educação, saúde, questão de moradia, e ambientalismo. Eles chegam [nesse entendimento] porque a educação colaborou com eles. "Não é para decidir o voto do jovem, mas para que ele perceba como funciona o Estado brasileiro e a importância da democracia, a partir de conhecimento, debate e de reflexões", finaliza.