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CSN: oito acidentes de trabalho fatais desde 2020

Em seis anos, maior siderúrgica da América Latina teve mais de mil acidentes sem mortes

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Empresa não se manifesta quanto a novas medidas de segurança

Com a morte de Sinval Teixeira de Carvalho, de 63 anos, nesta terça-feira (13), na Usina Presidente Vargas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), o número de empregados que foram vítimas de acidentes fatais na empresa chega a quatro em menos de dois anos. Dados do Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro (MPT-RJ), divulgados em junho deste ano, mostram que a empresa acumula 1.082 acidentes de trabalho ao longo desta década (de 2020 a 2026), com oito mortes no total.

Nos últimos 24 meses, foram seis acidentes com quatro fatalidades. As vítimas foram o ajudante de linha férrea Sinval Teixeira de Carvalho, de 63 anos, nesta terça; o mecânico de manutenção Magno Rodrigo Vieira de Almeida, de 45 anos, em maio deste ano; a auxiliar de Limpeza Industrial Lauriene Cristina Leal de Souza, de 28 anos, em janeiro de 2025; e o mecânico Bruno José Oliveira das Neves Paiva, de 40 anos. Os três primeiros eram funcionários da Companhia Brasileira de Serviços da Infraestrutura (CBSI), terceirizada na CSN.

A CSN registrou outros dois acidentes desde 2025, que resultaram em ferimentos de funcionários: uma operária de 26 anos, que trabalhava na área de Aços Longos, em 2026; e um técnico de manutenção mecânica ferido após um incidente ocorrido na bobinadora da Linha de Tiras a Quente 2 (LTQ2), no ano passado.

A CSN já havia apresentado um alto número de acidentes e fatalidades em um curto período de tempo. Em 2023, foram registrados quatro acidentes, incluindo um vazamento de líquido quente, na aciaria, que causou fortes estrondos e deixou dois funcionários feridos. Houve ainda três mortes e mais duas hospitalizações por vazamento de gás tóxico na Usina Presidente Vargas.

Descaso com os funcionários

Em todos os casos de acidente, a CSN e a CBSI seguem o mesmo protocolo: o envio de uma nota à imprensa que "informa, com pesar" o falecimento da vítima. Por meio da nota, as empresas manifestam ainda solidariedade a pessoas próximas, e comunicam que prestarão assistência aos familiares.

Com relação às causas que fazem vítimas fatais ou deixa trabalhadores feridos, as empresas afirmam que a causa será sendo apurada. Entretanto, ambas também seguem o padrão de não divulgar atualizações sobre os casos, nem informar a conclusão de fato das investigações.

População é ignorada

A CSN segue os mesmos protocolos quando há ocorrências como vazamentos ou explosões e não dá retorno à população sobre os desdobramentos dos casos, ou medidas de segurança que serão tomadas.

Audiência pública

Uma audiência pública promovida pelo Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), em junho deste ano, reuniu autoridades, especialistas e trabalhadores para discutir medidas de saúde, segurança e prevenção de acidentes e adoecimentos de trabalhadores da CSN. Na reunião, foi apresentada a pesquisa da Inspeção do Trabalho que identificou o total de acidentes ocorridos na empresa nos últimos anos.

Os participantes abordaram os principais desafios relacionados à saúde e à segurança dos trabalhadores da CSN e apresentaram propostas para o enfrentamento desses problemas. Durante o encontro, o público constatou que os acidentes de trabalho possuem causas multifatoriais, decorrentes da interação de fatores organizacionais, ambientais, técnicos e humanos, afirmando que a responsabilidade pelas ocorrências não podem ser atribuídos exclusivamente à conduta do trabalhador.

Os participantes também destacaram a necessidade de superar a concepção de "ato inseguro" como causa única dos acidentes, reconhecendo que a prevenção efetiva pede que a empresa faça uma análise das condições de trabalho e dos fatores que contribuem para a ocorrência dos eventos lesivos. O excesso da jornada de trabalho foi citado como um fator causador de acidentes durante o debate.