☰
✕

'Comboio' com criminosos do RJ teria sido escoltado pela PM para invadir complexo

Criminosos teriam saído do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, rumo a Volta Redonda

Por

Corregedoria apura suspeita de facilitação da invasão por policiais, enquanto novas equipes reforçam o policiamento

Volta Redonda atravessa uma crise de segurança pública que expõe a gravidade da violência provocada pela disputa territorial entre facções criminosas. E mais: evidencia a demora das respostas institucionais diante de uma situação que deixou de estar restrita a uma comunidade - no caso o Complexo Vila Brasília - e passou a ameaçar diferentes regiões do município. O caso ganhou um novo e preocupante capítulo com a investigação sobre a suspeita de que policiais militares tenham facilitado a entrada de um comboio com cerca de 40 criminosos fortemente armados no Complexo Vila Brasília, no último domingo (25).

Os suspeitos estariam usando roupas táticas semelhantes às utilizadas por forças policiais. Em meio à investigação, a tenente-coronel Amanda Neves Ferreira foi exonerada do comando do 28º Batalhão de Polícia Militar (28º BPM), em Volta Redonda, nesta terça-feira (27). Para substituí-la, foi designado o tenente-coronel Décio Keiji Takamine, que atuava na Coordenadoria de Segurança Presente. Seis policiais que integravam duas viaturas sob investigação também foram transferidos.

A Corregedoria da corporação, por meio da 5ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), é a responsável pela apuração da suspeita de envolvimento de policiais na entrada do grupo criminoso.

Violência domina município

Desde domingo, quando a disputa entre facções criminosas se intensificou no Complexo Vila Brasília, moradores de Volta Redonda convivem com tiroteios, mortes, prisões e medo de sair de casa. A insegurança também provocou reflexos na rotina da cidade, com escolas particulares sem funcionamento e restrições à circulação em áreas afetadas pelos confrontos.

Os episódios registrados nos dias seguintes ampliaram a apreensão dos moradores, diante da possibilidade de novos confrontos em outros bairros. na rede municipal de ensino, as aulas foram mantidas até mesmo nas áreas ocupadas pela polícia. O funcionamento dos Cras também não foi alterado e os funcionários colocam a vida em risco, assim como os profissionais da Educação. A UniFoa, que fica em Três Poços, próximo a Volta Redonda, determinou aulas on-line por conta da onda de violência.

Noite e madrugada de terror

O início da noite desta terça-feira, dia 27, e madrugada de quarta (28) foram de puro terror para moradores dos bairros Água Limpa, São Geraldo e Monte Castelo. Um homem foi executado com vários tiros, em pleno final da tarde, em uma rua da Água Limpa. Ele estava em uma moto e os criminosos chegaram e dispararam vários tiros.

Por volta das 22 horas, uma intensa troca de tiros foi iniciada entre no São Geraldo, com explosão de granadas. Agentes do Bope (Batalhão de Operações Especiais) foram para o bairro e apreenderam um fuzil, 14 minições e uma rádio de comunicação.

Comércio tem prejuízo

Comerciantes, principalmente do bairro Retiro, estão tendo prejuízo, desde segunda-feira, dia 26, primeiro dia útil após o início da guerra do tráfico. Devido às constantes troca de tiros e homens armados por vários pontos do município, consumidores temem ir às ruas. Resultado: o movimento nas vendas caiu drasticamente.

Alguns donos de lojas estão fechando as portas mais cedo com medo de retaliações e também por conta do movimento fraco dos últimos dias. Sem contar a dificuldade que os funcionários têm para retornarem para casa, principalmente quem mora nas áreas ocupadas pelo Bope, no Complexo da Vila Brasília. Ao menos 14 bairros do município, tiveram o policiamento reforçado.