Caso confirmada sua fuga para os Estados Unidos, Flávio Nantes Bolsonaro, brasileiro, casado, advogado, senador da República, residente e domiciliado no Distrito Federal, terá sido o quarto político do PL a, no exercício de mandato parlamentar, dar bye, bye, Brasil para escapar da Polícia Federal.
Ele é investigado em dois inquéritos por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa. Seus antecessores neste tipo de escapada são os ex-deputados federais Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem e Carla Zambelli.
Seu pai, Jair Messias Bolsonaro, brasileiro, casado, militar aposentado, ex-presidente da República, residente e domiciliado no Distrito Federal, onde cumpre pena por tentativa de golpe de Estado, cometeu duas prováveis tentativas de fuga: em 2024, passou o Carnaval na embaixada da Hungria; no ano seguinte, buscou, com um ferro de solda, romper a tornozeleira eletrônica.
Caso confirmada — o que não havia sido feito até o início da noite de ontem —, a fuga do homem que, domingo, recebeu a confiança de quase 60 milhões de brasileiros, ocorreu menos de 24 horas depois de ele ser notificado pela Justiça da proibição de viajar para o exterior. Ele se comprometeu a entregar seus dois passaportes, o normal e o diplomático, e garantiu que não deixaria o Brasil.
O vencedor do primeiro turno da eleição presidencial tem seus motivos para desconfiar da atuação de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou as medidas contra ele. O ministro foi relator dos processos contra os golpistas, propôs penas pesadas.
Assim como Flávio, Moraes é suspeito de ter recebido vantagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, tem boas chances de ser alvo de um processo de impeachment na próxima legislatura do Senado. Para bolsonaristas, ao tomar medidas contra o primogênito de Jair, o ministro criou um fato capaz de lhe servir de moeda de troca.
O senador fluminense tem, portanto, o direito de duvidar de Moraes. Mas, como líder político, não poderia fugir do país. Teria que ficar aqui e enfrentar eventuais acusações. Diferentemente do que ocorreu na ditadura tão exaltada por integrantes de sua família, ele, caso condenado e preso, não correria o risco de ser torturado e morto.
Em 19 de março de 2018, 19 dias antes de ser preso, Lula foi a Santana do Livramento (RS). Lá, bastaria atravessar uma rua para chegar a Rivera, no Uruguai, país então comandado pela esquerda.
Na ocasião, o petista disse que poderia "dar um pulo ali", referência a um exílio. Mas acrescentou: "Não dou". Ele enfrentava o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol — depois de abandonarem a carreira jurídica, ambos se aliaram ao bolsonarismo e deixaram ainda mais evidente a aversão a Lula.
Condenado, o petista ficou 580 dias preso, não aceitou que lhe colocassem uma tornozeleira que viabilizaria uma prisão domiciliar. Libertado em 2021, disputou e venceu duas eleições presidenciais. No discurso em Livramento, profetizou: "Mais dia menos dia, quem vai sair do país são meus acusadores".
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