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Fachin recebe defesa de Mendonça contra acusação de abuso de autoridade

Fachin recebe defesa de Mendonça contra acusação de abuso de autoridade
Mendonça sustenta que atuou dentro das atribuições que possui como ministro do STF Crédito: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro André Mendonça entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, sua manifestação na ação em que é acusado por Alexandre de Moraes de suposto abuso de autoridade, entre outras irregularidades relacionadas à condução das investigações sobre o Banco Master. O prazo para a defesa se manifestar terminou nesta segunda-feira (21/9).

Na defesa encaminhada a Fachin, Mendonça sustenta que atuou estritamente dentro das atribuições que possui como ministro do Supremo. Segundo o argumento apresentado, suas decisões foram tomadas de maneira responsiva às informações que chegaram formalmente ao processo, sem tentativa de se antecipar ao ritmo das apurações conduzidas pela Polícia Federal e sem qualquer intenção de interferir na atuação da corporação.

Um dos pontos centrais da manifestação é justamente o momento em que Mendonça tomou conhecimento dos elementos envolvendo Moraes. O ministro argumenta que somente teve acesso ao relatório produzido pela Polícia Federal dias antes de torná-lo público — portanto, posteriormente à reportagem do jornal O Globo que revelou, em março, a existência de mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.

Um ministro do STF não pode tomar decisões nos autos apenas com base em informações veiculadas pela imprensa: sua atuação precisa estar amparada em elementos formalmente apresentados pelos investigadores.

A argumentação também rebate a interpretação de que Mendonça teria deliberadamente retardado a divulgação das informações para fazê-las coincidir com o período das manifestações de Sete de Setembro e a proximidade das eleições, como acusou o ministro Gilmar Mendes.

Mendonça afirma que não tinha como agir antes de receber o material da PF. Na sua versão, o intervalo entre a reportagem jornalística e sua atuação decorreu justamente do fato de que o conteúdo necessário para uma providência judicial ainda não havia chegado formalmente ao seu conhecimento.

A defesa procura, assim, afastar a tese de que houve atuação política ou eleitoral na condução do caso. Mendonça argumenta que suas decisões decorreram da função jurisdicional e dos elementos que estavam à disposição do gabinete. A controvérsia sobre sua conduta ganhou dimensão dentro do STF depois que Moraes pediu a abertura de investigação contra o colega, acusando-o de suposta improbidade, crime de responsabilidade e abuso de autoridade na condução das apurações.

Agora, caberá a Fachin analisar os argumentos apresentados por Mendonça e decidir os próximos passos. O presidente do STF poderá submeter ao plenário da Corte a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro, a exemplo do procedimento adotado em relação ao próprio Moraes. Fachin, contudo, também poderá decidir individualmente pelo arquivamento do pedido caso entenda que os elementos apresentados não são suficientes para justificar a abertura de uma apuração.

Com a entrega da defesa, Mendonça passa agora a ter formalmente apresentado ao presidente do STF sua versão sobre a regularidade e cronologia dos fatos.