Nem o anúncio oficial do PP de apoio a Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) nem a proximidade com Rogério Marinho (PL-RN) no campo da oposição tiram a disposição da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ela segue no páreo para presidir o Senado no ano que vem.
Sobre o anúncio do PP, ela diz ter sido posição do presidente do partido, Ciro Nogueira (PI), sem consultar a bancada. Sobre Marinho, ela acredita ter mais votos do que ele. Talvez, inclusive, dentro do próprio PL. Há quem acredite que pode até ser o caso de Michelle Bolsonaro, eleita pelo PL para o Distrito Federal. Chamou a atenção o fato de Michelle não ter participado do lançamento oficial da candidatura de Marinho.
Assim, Tereza Cristina acredita que toda essa história só será mesmo definida no ano que vem. Depois do recesso no fim do ano, o Congresso só retoma as suas atividades em fevereiro. E somente aí acontecerão as eleições para os novos presidentes da Câmara e do Senado. A senadora acha que as definições de candidaturas só irão mesmo se dar bem próximo dessa data.
Até lá, a senadora não crê que a disputa já seja um jogo jogado para reeleger Davi Alcolumbre, por mais que ele esteja angariando apoios e costure a simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vai para o seu quarto mandato. Há um fator que pode fazer com que as costuras feitas por Alcolumbre acabem se revelando um tiro pela culatra contra ele. Esse fator responde pelo nome de Alexandre de Moraes.
Nas conversas que vem fazendo, Alcolumbre ensaia um projeto de pacificação política pelo qual se daria, por um lado, um perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Pelo outro, seria feita uma reforma do Judiciário, mas preservando os atuais ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – e, no caso, especialmente Moraes – de processos de impeachment.
É por aí que os apoios a Alcolumbre podem desandar. Livrar de saída a cara de Alexandre de Moraes nesse projeto de pacificação não é algo que os senadores de oposição aceitem sem reagir. O que se escuta nos corredores do Senado é que eles gostariam ao menos de tentar o impeachment – instalar o processo e ver o processo votado.
Nessa mesma linha, há situações que podem fragilizar a tentativa de reeleição de Alcolumbre. Situações que poderiam fazer parecer que a blindagem dos ministros do STF seja algo relacionado aos riscos de investigações contra o próprio Alcolumbre. Por que ele decretou sigilo de 100 anos sobre as visitas Antônio Carlos Antunes, o “Careca do INSS”, ao Senado? Há uma investigação em curso contra um assessor de Alcolumbre, Paulo Boudens. Ele nega, mas há citações também sobre ele nas investigações do Banco Master. Há outros pontos interessantes nas avaliações de Tereza Cristina. Mas deixaremos para a coluna de segunda.
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