Reta final da campanha eleitoral e a ordem no comando da equipe do candidato do PT à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é de atenção total sobre três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux.
Para os petistas, estes ministros têm tomado seguidas decisões contrárias a Lula e favoráveis ao adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), demonstrando parcialidade. A maior preocupação é com Nunes Marques, que tem maior poder em mãos por estar exercendo no momento a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A queixa de bastidores dos advogados da campanha de Lula é de que, além de se mostrar parcial, Nunes Marques tem tido muitos processos distribuídos para ele. O estranhamento é que a distribuição de processos é feita de forma automática e aleatória, por meio de sorteio eletrônico, utilizando o sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe).
Normalmente, o fluxo funciona seguindo critérios específicos para garantir imparcialidade e equilíbrio na Corte. Além disso, o presidente do TSE geralmente não recebe processos ordinários para relatar, pois fica responsável pelas decisões urgentes do plantão, por questões administrativas e pela condução das sessões de julgamento.
No caso em que suspendeu o canal "Exército do Lula" no WhatsApp, por exemplo, os advogados do petista avaliam que Nunes Marques atropelou determinação do corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que havia estabelecido um rito de cautela e respeito ao contraditório.
No sábado, 10, Cueva determinara que, como reclamante contra o canal, Flávio Bolsonaro apresentasse esclarecimentos e provas concretas em 72 horas, antes que qualquer medida drástica fosse tomada.
Nunes Marques ignorou a decisão do corregedor: no dia seguinte mandou o WhatsApp suspender a lista de distribuição. Cueva teve que desfazer a ordem do presidente da Corte para reabrir o canal dirigido pelo deputado André Janones (Rede-MG).
A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, por sua vez, concluiu não ter identificado no canal o compartilhamento de informações classificadas pela campanha de Flávio Bolsonaro como fake news.
Por conta disso tudo, a ideia na equipe eleitoral do PT é reforçar o plantão jurídico nessa reta final para responder de imediato a qualquer decisão desses três ministros contra a campanha de Lula. Também há certo receio em relação a Dias Toffoli, mas em menor grau.
A avaliação é de que Toffoli estaria ressentido com o grupo a que pertencia no STF, composto por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Eles o teriam deixado à mercê dos ataques da mídia quando descobertas suas relações com empresas de Daniel Vorcaro.
Vorcaro também seria o pivô da irritação de Nunes Marques, depois que a imprensa descobriu mensagens atribuídas a executivos do Banco Master dando conta de supostos repasses mensais de R$ 500 mil associados ao advogado Kevin Marques, filho do ministro.
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