Quando um rebolativo Elvis Presley apareceu em rede nacional, em 1956, a televisão nos Estados Unidos ainda era uma sala estreita, em preto e branco, e o rock'n'roll, uma linguagem que deixava os pais de cabelo em pé e, por isso, mesmo, excitava adolescentes. Quase 50 anos depois de sua morte, o Rei do Rock volta a ocupar uma tela, agora do tamanho de um palco, no concerto "Elvis in Concert Live On Screen" nesta quinta-feira (5), às 21h30. no Qualistage. Uma orquestra de 30 integrantes executa ao vivo as canções que fizeram de Elvis o primeiro superastro da música no século 20 enquanto a voz virá de imagens de arquivos de televisão e cinema exibidas no telão.
O show chega ao Rio como uma das paradas brasileiras do programa que antecipa os 50 anos da morte do cantor, a serem completados em 2027. A própria Graceland, em Memphis, já anunciou que abrirá o calendário do chamado Elvis 50 entre 7 e 10 de janeiro, com concertos, conversas e uma apresentação de "Elvis Presley in Concert" acompanhada pela Orquestra Sinfônica de Memphis. Antes disso, o Brasil recebe a maior circulação nacional do formato: seis capitais, de São Paulo a Curitiba, e a exposição "Elvis — Direto de Graceland", com mais de 400 peças do acervo, em Porto Alegre e São Paulo.
Não se trata, portanto, de um cover imitando as fartas costeletas e os macacões do exórico figurino do artista. A engenharia do espetáculo preserva a voz de Elvis e a coloca em diálogo com músicos no palco, usando trechos restaurados do especial de televisão de 1968, do concerto "Aloha from Hawaii" (1973) e dos filmes "Elvis: That's the Way It Is" (1970) e "Elvis on Tour" (1972). É uma viagem por mais de 35 canções, de "Blue Suede Shoes" e "Don't Be Cruel" a "Suspicious Minds", "My Way" e "Can't Help Falling in Love".
Nascido em Tupelo, Mississippi, em 1935, e criado em Memphis, Elvis fez do trânsito entre gospel, blues, country e rhythm and blues uma linguagem de massa. Sua primeira gravação para a Sun Records, em 1954, e a passagem seguinte para a RCA ajudaram a transformar um cantor de voz elástica e presença corporal inédita em fenômeno de rádio, cinema e televisão. Mas sua dimensão não cabe apenas na alcunha de Rei do Rock: ele abriu caminho, com todas as contradições da indústria que o produziu, para a entrada do repertório negro do sul dos Estados Unidos no mercado pop.
O concerto percorre justamente as fases dessa trajetória. Do jovem vestindo jaquetas de couro preto ao artista que lotava grandes auditórios e transmissões globais. Na versão brasileira, o baixo de Jerry Scheff, integrante da TCB Band de Presley entre 1969 e 1977 e músico de gravações como "L.A. Woman", do Doors, faz a ligação material entre o arquivo e o palco.
SERVIÇO
ELVIS PRESLEY IN CONCERT
Qualistage (Via Parque Shopping - Av. Ayrton Senna, 3000)
5/11, às 21h30
Ingressos a partir de R$ 214
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