Música

Dois artistas, uma noite e uma saudade chamada fado

Camané e Sara Correia levam o encanto que ecoa das ruas da Alfama e da Mouraria ao Vivo Rio

Dois artistas, uma noite e uma saudade chamada fado

Affonso Nunes

Essencialmente lisboeta, o fado nasceu nos bairros da Alfama e da Mouraria, tem uma guitarra que não existe em nenhum outro lugar. E mesmo assim é mundialmente reconhecido. Mesmo quem nuca pisou na capital portuguesa é capaz de sentir essa saudade sem endereço. O Vivo Rio recebe nesta sexta-feira (6), às 21h, dois dos maiores nomes vivos do fado. Camané e Sara Correia dividem o palco da casa, com dois shows distintos, na 16ª edição do Festival Fado.

Alfama, Mouraria, Bairro Alto e Madragoa são os quintais onde essa tradição musical urbana aprendeu a andar, cantada por quem nesses bairros vivia e trabalhava. A casa abre duas horas anres da apresentação musical leando ao público a exposição "Os Bairros de Lisboa", com curadoria do Museu do Fado, recuperando imagens e personagens dessas regiões populares que se tornaram fundamentais para a memória fadista.

Sara Correia abre a noite às 21h. Desde o primeiro homônimo, de 2018, a cantora obteve prêmios e projeção no panorama musical, confirmada pela indicação de "Do Coração" (2021) ao Grammy Latino. Em fevereiro, lançou "Tempestade", álbum de 11 canções escritas por mulheres, antecipado por um show esgotado na MEO Arena, em Lisboa — o maior espetáculo de sua carreira até aqui. A fadista conta que o fado virou o bálsamo diário dos seus ouvidos; hoje é ela a referência das gerações mais novas.

Camané dispensa apresentações — mas as merece. O primeiro contato com a música veio ainda em criança, fuçando a coleção de discos dos pais. Aos 13, venceu a Grande Noite do Fado de Lisboa, primeiro degrau de uma carreira que, desde os anos 90, soma discos de forma consistente — de "Uma Noite de Fados" (1995), que inaugurou a parceria com José Mário Branco, a "Horas Vazias" (2021), seu mais recente de inéditas. No meio do caminho, o projeto "Aqui está-se sossegado" com o pianista Mário Laginha, do qual nasceu um álbum indicado ao Grammy Latino. É com temas singulares da carreira e o novo trabalho que ele assume o palco às 22h numa noite de sentimentos à flor da pele.

SERVIÇO

FESTIVAL FADO 2026

Vivo Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85, parquye do Flamengo)

6/11, com shows de Sara Correia (21h) e Camané (22h)

Ingressos a partir de R$ 120 e R$ 60 (meia)