Teatro

Personagens no limite do absurdo

Nova montagem de 'Cordélia Brasil', clássico de Antonio Bivar, dirigida por João Fonseca, estreia no Teatro Glauce Rocha

Personagens no limite do absurdo
Cordélia Brasil Crédito: Divulgação

Escrito nos anos 1960, o texto de Antonio Bivar segue pertinente: escancara a potência da mulher e o desejo de igualdade social. "Cordélia Brasil", a grande obra da trajetória do autor, chega agora ao Teatro Glauce Rocha, em curta temporada às quintas-feiras, às 19h, até 26 de novembro. A direção é de João Fonseca, responsável por sucessos como "Cazuza" e "Minha Mãe é uma Peça".

A tragicomédia se passa em uma quitinete decadente no Rio de Janeiro. Cordélia, vivida por Paula Goja, trabalha como auxiliar de escritório e começa a se prostituir para sustentar o marido Leônidas (Antonio Pina), um homem inerte, em constante procrastinação, que sonha em ser escritor. A chegada do jovem Rico (Pedro Pedruzzi) estremece a relação do casal.

Com humor ácido, a peça coloca em foco personagens que vivem no limite do absurdo — e expõe o peso da obrigação do cuidado e o esgotamento físico e mental imposto às mulheres, convidando o público a questionar o quanto se avançou na promessa de uma sociedade menos desigual.

"Cordélia Brasil" coloca em xeque a opressão, a solidão, o etarismo e a sobrevivência em meio ao fracasso dos sonhos, em uma montagem que comove e faz rir do ridículo existente em cada um de nós. Bivar tangia toda a sua dramaturgia como um manifesto da contracultura, e a peça consolidou-se como o ponto alto de sua obra.

A produção já percorreu os teatros Firjan Sesi Caxias, Futuros, Casa de Cultura Laura Alvim, Centro Cultural Justiça Federal, Teatro Vannucci e Teatro da UFF, levando uma legião de espectadores. No elenco, ao lado de Goja, Pina e Pedruzzi, a equipe reúne cenário e figurino de Nello Marrese, luz de Nina Balbi e assistência de direção de André Celant.

SERVIÇO

CORDÉLIA BRASIL

Teatro Glauce Rocha (Av. Rio Branco, 179, Centro)

De 5 a 26/11, às quintas-feiras (19h)

Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia)