Por Mayariane Castro
O espetáculo "O Veneno do Teatro", dirigido por Eduardo Figueiredo e protagonizado por Osmar Prado e Maurício Machado, retornou a Brasília para uma temporada de dez apresentações na Caixa Cultural.
A montagem brasileira, que já percorreu cidades de diferentes regiões do país, adapta o texto do dramaturgo espanhol Rodolf Sirera e inclui música executada ao vivo pelo violoncelista Matheus Vieira. A direção musical é de Guga Stroeter.
A capital federal recebeu a pré-estreia da produção, com sessões esgotadas e uma apresentação extra.
Quase três anos depois, o espetáculo volta à cidade após realizar mais de 160 apresentações no Brasil, incluindo temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo. A peça acompanha o encontro entre Gabriel De Beaumont, um ator conhecido e ambicioso, interpretado por Maurício Machado, e um marquês, vivido por Osmar Prado.
Experiência
O aristocrata convida o artista para interpretar uma obra teatral de sua autoria.
Durante o encontro, porém, a proposta se transforma em um jogo psicológico no qual o anfitrião assume o controle da situação.
O ator percebe que o convite faz parte de uma experiência planejada para submetê-lo a situações extremas.
À medida que a relação entre os personagens se desenvolve, os limites entre realidade e ficção se tornam menos definidos. O marquês revela intenções que ultrapassam o exercício artístico e passa a expor sua disposição para recorrer à crueldade a fim de alcançar seus objetivos.
A narrativa utiliza o suspense para discutir as relações entre poder, representação e comportamento humano. A situação vivida pelos dois personagens também coloca em questão a posição do ator diante de quem dirige a cena e a participação do público na observação de situações de conflito.
Após a ditadura
Escrita por Rodolf Sirera na década de 1970, a obra surgiu na Espanha após a ditadura de Francisco Franco, durante o início do processo de democratização do país.
Embora o texto original tenha sido concebido nesse contexto, a história se passa na França de 1784, às vésperas da Revolução Francesa.
Na versão brasileira, a encenação dirigida por Eduardo Figueiredo adota referências visuais da Paris dos anos 1920 para a ambientação da peça. A produção também introduz uma característica que, segundo os responsáveis pela montagem, diferencia a versão nacional das demais: a presença de música ao vivo, executada por um violoncelista durante a apresentação.
A trilha musical integra a construção da atmosfera cênica e acompanha o desenvolvimento do confronto entre os protagonistas. O trabalho musical é assinado por Guga Stroeter.
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