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Beth Goulart incorpora o amor e os mistérios de Clarice

Peça une a escritora e quatro das suas personagens em apresentações gratuitas no Gama

Beth Goulart incorpora o amor e os mistérios de Clarice
Beth Goulart ganhou diversos prêmios com sua interpretação de Clarice Crédito: Fabian

A atriz Beth Goulart apresenta, nestes sábado (7) e domingo (8), o espetáculo Simplesmente eu, Clarice Lispector, no Teatro SESC Paulo Gracindo, no Gama. A montagem, concebida, adaptada e dirigida pela artista, coloca em cena a escritora Clarice Lispector e quatro personagens femininas de sua obra. No sábado, o espetáculo será às 19h, e às 18h do domingo. Os ingressos são gratuitos e serão distribuídos na bilheteria do teatro, a partir das 16h, em ambos os dias.

Estrelado por Beth Goulart, o espetáculo estabelece um diálogo entre diferentes momentos da produção literária de Clarice Lispector. A dramaturgia utiliza trechos de livros, contos, entrevistas, depoimentos e correspondências da escritora para construir uma narrativa que aborda temas como amor, solidão, cotidiano, criação, morte e existência.

A atriz interpreta a autora e quatro personagens femininas: Joana, do romance Perto do Coração Selvagem; Ana, do conto Amor; Lori, de Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, e uma mulher sem nome, do conto Perdoando Deus. Na encenação, essas figuras representam diferentes aspectos da trajetória e do pensamento da escritora.

Abordagens sobre o amor

A escolha das personagens está relacionada à proposta de apresentar ao público as diferentes formas de abordar o amor presentes na literatura de Clarice. Joana representa o impulso criativo e a inquietação; Ana retrata uma mulher dedicada à família, cuja rotina é alterada por uma experiência no Jardim Botânico; Lori é uma professora que se prepara para descobrir e vivenciar o amor; enquanto a personagem sem nome apresenta elementos de ironia, inteligência e humor.

A montagem também incorpora reflexões sobre o silêncio, o vazio e o que a escritora denominava “instante-já”, conceito relacionado ao momento de percepção em que uma experiência cotidiana ganha outro significado. Esses elementos são trabalhados por Beth ao longo da apresentação, que combina passagens literárias e reflexões sobre a vida da autora.

Mais de um milhão

O espetáculo estreou em Brasília, em 2009, e desde então passou por quase 300 cidades, alcançando um público superior a 1,3 milhão de pessoas, segundo a produção. A montagem também teve temporadas com ingressos esgotados na capital federal. A trajetória inclui premiações para Beth Goulart, que recebeu os troféus de Melhor Atriz nos prêmios Shell, APTR, Revista Contigo e Qualidade Brasil, em 2009. O Qualidade Brasil também reconheceu a produção como Melhor Espetáculo.

O processo de criação começou com dois anos de pesquisa sobre a vida e a obra de Clarice Lispector. Em seguida, foram realizados seis meses de preparação e dois meses de ensaios. Durante a elaboração do texto, Beth reuniu materiais da escritora e selecionou passagens que permitissem construir uma representação cênica de suas ideias e personagens. “Simplesmente eu, Clarice Lispector é uma ode ao amor, quando vou de encontro ao viés mais presente e importante da obra da Clarice na busca por esse sentimento, o mais sublime do ser humano”, declara Beth

A relação da atriz com a literatura de Clarice começou na adolescência, quando teve contato com o romance Perto do Coração Selvagem. A leitura de Joana marcou sua aproximação com a autora e influenciou o desejo de levar sua obra ao teatro. Para Beth, interpretar Clarice representa a realização de um projeto pessoal de dar corpo e voz à escritora por meio da atuação. "Eu achava que não era compreendida. O que fazer com isso tudo dentro de mim, com esse processo criativo? Só Clarice me entendia", confessa a atriz.

Na concepção visual, a montagem utiliza cenografia minimalista e iluminação para estabelecer um espaço em que autora e personagens se encontram. O cenário é assinado por Ronald Teixeira e Leobruno Gama, enquanto a iluminação é de Maneco Quinderé. A trilha sonora original, composta por Alfredo Sertã, tem referências musicais de Erik Satie, Arvo Pärt e Astor Piazzolla.

Para Beth, representar Clarice Lispector é realizar um antigo desejo: "Eu sempre acalentei essa vontade de um dia poder dar meu corpo, minha voz, minhas emoções para colocá-la viva em cena." Com duração de 60 minutos e classificação indicativa de 12 anos, Simplesmente eu, Clarice Lispector propõe uma aproximação entre o público e a produção literária da escritora brasileira por meio da interpretação teatral. A apresentação no Gama integra a circulação do espetáculo, que retorna a Brasília, cidade onde estreou.