CORREIO DE CAMPINAS

Dário apoia menores em concursos de beleza enquanto faltam médicos

Dário apoia menores em concursos de beleza enquanto faltam médicos
Crianças e adolescentes recepcionadas no Salão Azul do 4º andar Crédito: Carlos Bassan/ Prefeitura de Campinas

O fato do prefeito Dário Saadi (Republicanos), que é médico, apoiar a participação de crianças e adolescentes em concursos de beleza pode parecer um gesto protocolar. Mas, a agenda do chefe do Executivo, em 1º de outubro, as recepcionando no ar condicionado do Palácio dos Jequitibás ganha outro significado quando observada pelo prisma da realidade de Campinas.

Entre um dos exemplos - do que a população enfrenta - consta, entre outros, a suspensão dos atendimentos no Centro de Saúde de Barão Geraldo no último dia 29. A unidade dispõe de cinco equipes de Saúde da Família, mas, segundo os servidores, nenhuma está completa.

Como o Ministério da Saúde recomenda que cada equipe atenda, em média, de 3 a 4 mil pessoas, as cinco cobririam, em sua capacidade máxima, apenas 20 mil habitantes, ilustrando a sobrecarga da categoria, que parou em protesto.


"Esperando Godot"

Em resposta, a prefeitura argumenta que não há déficit de enfermeiros ou agentes comunitários de saúde e que "está previsto o reforço de mais duas médicas" cujos trâmites estão em andamento. Enquanto isso, no dia 29, o CS de Barão só atendeu casos de urgência.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público de Campinas (STMC), há quase duas mil pessoas esperando uma consulta com ginecologista. E, ao contrário das recepções do prefeito no Salão Azul, divulgadas nas redes sociais, não há publicação de Saadi visitando o CS esta semana.


"Vaidade das vaidades"

Em relação às crianças participantes de concursos de beleza, especificamente, Saadi afirmou que elas devem conciliá-los com estudos e convivência familiar. Mas, a ressalva não encerra a discussão.

Competições de beleza submetem menores a julgamento por atributos de aparência, e, segundo o PubMed (o google da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos) estudos relacionam a sexualização e objetificação de meninas de 6 a 12 anos a esse tipo de evento.


"Lolita"

O Ministério Público do Paraná orienta que esse tipo de concurso dependa de alvará judicial, mesmo com autorização dos pais. Em 2024, o MP do Amazonas participou de acordo que impediu menores de participar desse tipo de competição. A França os proíbe com menores de 13 anos e exige autorização estatal para participantes de 13 a 15 anos. Já na Bélgica, são proibidos para menores de 12.