A oposição ao prefeito Dário Saadi (Republicanos SP) criticou o aumento de custos e os sucessivos atrasos na licitação do transporte público de Campinas. A prefeitura publicou o novo edital de concessão, orçado em R$ 13,1 bilhões por 15 anos. O valor é 10,6% superior aos R$ 11,8 bilhões do edital anterior, anulado em agosto por ordem do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).
"O ciclo de licitações travadas ou canceladas impacta diretamente o dia a dia da população, perpetuando o uso de frotas defasadas e custos elevados sem a devida contrapartida em qualidade e modernização do serviço. A insegurança jurídica causada por sucessivos recursos e prazos suspensos acaba criando esse impasse: sem novas contratações, os contratos antigos (ou emergenciais) são prorrogados, mantendo as exigências defasadas e deixando a população refém de um sistema precarizado", afirma o vereador Gustavo Petta (PSol).
"A torcida é para que o edital atual consiga transitar com segurança jurídica, superando os questionamentos técnicos e garantindo que as exigências de frota, tecnologia e padrão de atendimento sejam finalmente implementadas", acrescenta o parlamentar.
Até a conclusão do certame e a homologação dos vencedores, os contratos vigentes podem permanecer em operação por até dois anos porque a Câmara os prorrogou.
O novo leilão está marcado para 18 de dezembro na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, com entrega das propostas em 11 de dezembro. O sistema segue dividido nos lotes Norte e Sul. No Norte, o teto por quilômetro subiu de R$ 11,14 para R$ 12,48, enquanto no Sul, passou de R$ 11,60 para R$ 11,59.
O outro lado
De acordo com a Emdec (autarquia municipal responsável pelo transporte público de Campinas), o aumento "se deu em função da atualização dos valores que o compõem, como peças, mão de obra, diesel, tecnologias empregadas e manutenção de terminais".
Ainda de acordo com a prefeitura, "Vale lembrar que os valores considerados no edital anterior, publicado em 05 de dezembro, eram baseados nos preços de mercado de junho de 2025" e que "todos esses valores sofreram reajustes, desde então, impactando no valor final do contrato".
A reportagem questionou a autarquia sobre a localização das planilhas que comprovam a necessidade do aumento. Em resposta, a Emdec informou ao Correio da Manhã que a documentação está inserida nos editais de licitação.
Segundo a empresa, o conjunto documental abrange os Anexos dois e três e seus respectivos apêndices, e os dados centrais para a explicação do reajuste encontram-se nas Modelagens Econômico-Financeiras da Concessão da Operação, especificadas no Anexo dois (Apêndice 23 A para o Lote Sul e Apêndice 23 B para o Lote Norte), e da Concessão Acessória de Tecnologia, presente no Anexo três (Apêndice 21.1).
A autarquia ressalta que a verificação exata do impacto financeiro exige a comparação entre as modelagens atuais e as do edital anterior, e que os insumos do sistema de transporte apresentaram variações oscilantes de preço, com altas no valor do óleo diesel e reduções no custo de veículos elétricos.
Ainda segundo a prefeitura, essas oscilações geram impactos distintos sobre cada item de custo, incluindo combustível, peças e acessórios, pneus, mão de obra, investimento em frota, despesas administrativas e tributos, além de variações específicas entre os lotes operacionais.
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