Estado de São Paulo

Feminicídios recuam 19,1% em São Paulo; homicídios caem entre janeiro e setembro

Prisões por violência doméstica sobem; roubos seguidos de morte aumentam no balanço mensal

Feminicídios recuam 19,1% em São Paulo; homicídios caem entre janeiro e setembro
Segundo os dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), os dois últimos indicadores tiveram os menores totais da série histórica Crédito: Divulgação Polícia Civil

A capital paulista registrou 38 feminicídios de janeiro a setembro de 2026, ante 47 no mesmo intervalo de 2025, uma redução de 19,1%. No período, os homicídios dolosos passaram de 376 para 338, queda de 10,1%, e os latrocínios recuaram de 28 para 23. Segundo os dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), os dois últimos indicadores tiveram os menores totais da série histórica para os nove primeiros meses do ano.

Enquanto os registros de feminicídio diminuíram, o número de agressores presos por violência doméstica aumentou 36,3%. Foram 2.881 prisões entre janeiro e setembro deste ano, frente a 2.114 no mesmo período de 2025. O balanço apresenta os dois movimentos, mas não estabelece uma relação de causa e efeito entre o crescimento das prisões e a redução das mortes de mulheres.

O recorte de setembro mostra resultados diferentes conforme o tipo de crime. Os feminicídios caíram de seis para quatro na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os homicídios dolosos diminuíram 12%, de 50 para 44 ocorrências. De acordo com a SSP, esse foi o segundo menor número de homicídios da série histórica para setembro.

Já os latrocínios tiveram alta no comparativo mensal, apesar da redução no acumulado do ano. A cidade registrou três roubos seguidos de morte em setembro de 2026, contra dois no mesmo mês de 2025. Assim, a queda observada nos nove primeiros meses não se repetiu nesse indicador no levantamento mensal.

A secretaria utiliza o programa SP Vida para reunir e analisar informações sobre crimes contra a vida. A iniciativa busca identificar padrões das ocorrências e subsidiar investigações. Segundo a pasta, os dados também orientam ações preventivas e estratégias policiais em regiões e situações com maior concentração de homicídios e latrocínios.

Para o atendimento a mulheres em situação de violência, a capital conta com nove Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs). Sete dessas unidades funcionam 24 horas por dia. Há ainda salas especializadas em delegacias comuns com atendimento ininterrupto. Em todo o estado, são 144 DDMs, das quais 39 mantêm funcionamento durante as 24 horas.

As delegacias especializadas recebem denúncias, investigam os casos e solicitam medidas protetivas quando necessário. A rede estadual inclui também serviços da Polícia Militar e ferramentas digitais voltadas ao atendimento das vítimas e ao acompanhamento de situações de violência doméstica.

Na Polícia Militar, a Cabine Lilás atende mulheres que acionam o telefone 190. Policiais femininas prestam orientações sobre direitos, medidas protetivas e serviços de apoio. Pelo aplicativo SP Mulher Segura, é possível registrar boletins de ocorrência pela internet, localizar unidades policiais e utilizar o botão do pânico, que envia um alerta à polícia e a um contato de emergência.

A Patrulha SP Mulher Segura realiza policiamento preventivo e acompanha casos de violência doméstica, incluindo os identificados pela Cabine Lilás e pelo aplicativo. O foco é prevenir ataques.