Política

Fachin deve receber relatórios da PF sobre ministros do STF no caso Master

Documentos previstos para terça-feira (13) detalham citações a integrantes da Corte e familiares; análise pode ampliar a crise interna e abrir caminho para o envio de informações à PGR

Fachin deve receber relatórios da PF sobre ministros do STF no caso Master
Em ofício, Fachin ressaltou que a apuração não deve excluir pessoas ou fatos Crédito: Antonio Augusto/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deve receber na próxima terça-feira (13) relatórios da Polícia Federal (PF) que reúnem referências a ministros da Corte e familiares no caso Banco Master. O material foi solicitado ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, após o ministro confirmar uma reunião pedida pelo delegado.

Em ofício, Fachin ressaltou que a apuração não deve excluir pessoas ou fatos. O conteúdo dos documentos poderá ajudar a delimitar o alcance das citações identificadas pela PF e a definir os próximos passos institucionais diante das suspeitas relacionadas ao banco controlado por Daniel Vorcaro.

Pelo menos seis dos dez ministros do STF, ou pessoas de suas famílias, aparecem em diferentes contextos nos registros relacionados à investigação. Também há referências a integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

A entrega dos relatórios ocorre em meio à crise interna que se intensificou desde setembro e colocou Fachin diante da necessidade de administrar as divergências entre integrantes do Supremo. Até agora, as discussões públicas se concentraram principalmente nos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, cujas posições evidenciaram divisões dentro da Corte.

PF busca delimitar citações a ministros no caso Master

Nas últimas semanas, a Polícia Federal trabalhou para individualizar as referências encontradas durante a investigação, separando os elementos relacionados a cada ministro ou familiar. A expectativa é que a reunião com Fachin permita esclarecer eventuais divergências institucionais e ajude a estabelecer um caminho para a continuidade das apurações.

Uma ala próxima a Moraes defende que não haja novos desdobramentos antes do encerramento das eleições. A avaliação, segundo relatos de bastidores, é que a Presidência do Supremo deverá garantir tratamento uniforme a todos os citados, com base no conjunto de informações reunidas pela PF.

Aliados de Moraes e Mendonça também consideram que o encaminhamento dos documentos à Procuradoria-Geral da República (PGR) seria uma alternativa para submeter os elementos a uma avaliação técnica. A proposta, relatada reservadamente por integrantes desses grupos, não estaria vinculada diretamente ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também é mencionado no caso.

O envio à PGR poderia oferecer uma base técnica para eventuais providências e abrir espaço para novas tentativas de reduzir as tensões internas. Até o momento, porém, não há consenso sobre uma solução para a crise.

Relação entre ministros segue marcada por divergências

Integrantes do Supremo avaliam que o ambiente interno apresentou alguma melhora após o primeiro turno das eleições. Apesar disso, persistem sinais de distanciamento entre ministros.

Segundo relatos de bastidores, André Mendonça e Alexandre de Moraes continuam sem se falar, assim como Gilmar Mendes e Nunes Marques. As divergências dificultam uma composição interna em torno da condução institucional do caso Master.

A apresentação dos relatórios a Fachin poderá fornecer novos elementos para a discussão, mas o conteúdo e as consequências de eventuais medidas ainda dependem da análise das informações reunidas pela Polícia Federal.

Como as citações ao caso Master chegaram ao STF

A crise ganhou dimensão pública em abril de 2025, quando a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou que o Banco Master havia contratado o escritório de advocacia da mulher de Alexandre de Moraes para atuar em ações. Posteriormente, foi divulgado que o contrato teria valor aproximado de R$ 130 milhões.

Neste ano, informações atribuídas à investigação da PF apontaram que Moraes teria sido interlocutor de ao menos 52 mensagens de Daniel Vorcaro, inclusive no dia da prisão do banqueiro. As referências ampliaram a pressão sobre o ministro e sobre a instituição.

Outro episódio envolveu Dias Toffoli. Foram divulgadas informações sobre negócios entre fundos ligados ao Banco Master e uma sociedade relacionada a um resort da família do ministro, no Paraná. Posteriormente, Toffoli deixou a relatoria do caso e se declarou suspeito para analisar questões da investigação na Segunda Turma do Supremo.

Em setembro, novas informações trouxeram referências a Nunes Marques, ao filho do ministro e ao filho de Luiz Fux, em contextos relacionados a mensagens, contratações e possíveis pedidos de ajuda em processos.

André Mendonça também passou a ser citado após a divulgação de uma fotografia com um advogado de Vorcaro, de informações sobre um encontro com o banqueiro e de questionamentos envolvendo uma possível relação entre o Banco Master e o Instituto Iter, ligado ao ministro.

No caso de Gilmar Mendes, foram relatadas a contratação de Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro, por Vorcaro, além de uma reunião e tentativas de aproximação.

As referências envolvem situações distintas e não representam, por si só, comprovação de irregularidades. Os ministros citados e seus familiares negam envolvimento ilícito ou irregularidades relacionadas a Daniel Vorcaro.

A análise dos relatórios pela Presidência do STF deverá ajudar a esclarecer quais elementos foram efetivamente reunidos pela Polícia Federal e quais encaminhamentos poderão ser adotados a partir deles.