A derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu caminho para que Davi Alcolumbre (União-AP) renovasse seu fôlego em uma batalha que, apurados os votos do primeiro turno, parecia ser impossível: sua reeleição para a presidência do Senado.
Embalada pela vitória parcial do primogênito de Jair e pela futura bancada de 29 senadores do PL (mais de um terço da Casa), a eleição de Rogério Marinho (PL-RN) para suceder Alcolumbre parecia evidente; ele, no máximo, teria que costurar a desistência da aliada Tereza Cristina (PP-MS).
Nada muito complicado para o líder da Oposição no Senado e coordenador da campanha daquele que já parecia encomendar o terno da posse no Planalto. O Centrão não poderia fazer muita marola, ao chegar no Bloquinho 22 apenas no segundo turno, ficaria longe da janelinha.
Pragmático, Alcolumbre tratou de fazer o L: no início da rodada decisiva, entregou a Lula a votação do fim da escala seis por um e retirou de pauta a PEC da Segurança, proposta de emenda constitucional em que a oposição plantara para o governo a armadilha da redução da maioridade penal.
O presidente do Senado, porém, corre o risco de se atrapalhar na própria esperteza ao tentar arquivar qualquer possibilidade de cartão vermelho para ministros do Supremo Tribunal Federal e acenar com anistia para golpistas — esta medida tende a jogar de volta nas ruas e redes o exército mobilizado por André Janones.
A direita não extremista vê, com a derrota de Flávio e sua fuga, a oportunidade de, enfim, entrar na briga presidencial de 2030 com um candidato próprio, o governador Tarcísio de Freitas confirmou que está na briga.
Para esse pessoal, é melhor que o bolsonarismo deixe de ser protagonista também no Senado e na Câmara. Para chegar à próxima eleição presidencial, essa ala precisa isolar na cocheira os jóqueis dos dark horses.
Assim, Alcolumbre, reeleito, atrapalharia menos a direita e setores do Centrão que Rogério Marinho — este, por suas ligações com Jair e Flávio, seria obrigado a bater tambor para o bolsonarismo.
O cenário na Câmara também é parecido. Mais discreto que Alcolumbre, Hugo Motta (Republicanos-PB) desponta como favorito mesmo diante os 121 deputados eleitos pelo PL, quase 25% do total.
Pode prometer que terá uma gestão equilibrada, diferentemente dos pré-candidatos do PL, Sóstenes Cavalcante e Altineu Côrtes, ambos do Rio de Janeiro. O bolsonarismo, afinal, exige fidelidade absoluta.
Reeleito, Lula recebeu Alcolumbre e Motta, fez a ambos convite para acompanhá-lo na viagem que fará à Turquia e às Filiipinas. Veterano conhecedor das artimanhas da política, sabe como foi difícil conseguir os dois amiguinhos, e trata de mantê-los por perto, mesmo que do outro lado do mundo.
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