Como prometido, a coluna segue com os raciocínios dos apoiadores da senadora Tereza Cristina (PP-MS) na sua disputa pela presidência do Senado no ano que vem. Como dissemos, Tereza Cristina avalia que o trabalho que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), candidato à reeleição, tenta para pacificar o país a partir de um perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro em troca de evitar processos de impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes, pode ser um tiro pela culatra.
Relembrando o que dissemos. A ideia pode gerar rejeição porque parte dos senadores quer ao menos tentar abrir o processo de impeachment. Além disso, há quem desconfie que, no fundo, Alcolumbre trabalha em causa própria, para ele mesmo se blindar de investigações que poderiam atingi-lo tanto no escândalo do INSS quanto no caso Master. Nos dois casos, embora ele negue, há citações a ele.
Mas outro ponto que ronda ali as suspeitas de que pode gorar um processo de blindagem de Alexandre de Moraes está em saber até vai a própria disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de proteger o ministro do Supremo. Até onde isso seria um ativo importante na recondução de Alcolumbre.
Primeiro. É sempre importante lembrar. Não foi Lula quem indicou Moraes para o STF. Foi Michel Temer. Alguém que o PT enxerga como um “golpista”, que teria articulado para derrubar Dilma Rousseff, num processo que acabou fortalecendo a Lava Jato e que culminou com a condenação e a prisão de Lula.
Segundo. Apesar disso, a associação de Lula com Moraes foi explorada pela oposição e foi um dos pontos que mais o enfraqueceu na disputa presidencial com Flávio Bolsonaro. Se dissociar de Moraes e de suas decisões muitas vezes consideradas no mínimo polêmicas pode ser ativo importante para Lula.
Terceiro. Moraes se tornou o todo-poderoso relator do interminável inquérito das fake news por uma decisão de Dias Toffoli quando era presidente do STF. Embora Toffoli tenha sido uma indicação de Lula, ex-advogado do PT que era, hoje ele é um desafeto do presidente, que não perdoa o fato de ele ter dado muito tardiamente e sem tempo hábil autorização para que Lula deixasse a prisão para o velório de seu irmão, Genival, o Vavá. Hoje, Lula e Toffoli sequer se cumprimentam.
Quarto. Foi Alcolumbre quem articulou a derrota da indicação do advogado-geral União, Jorge Messias, para a vaga no STF aberta com a saída de Luís Roberto Barroso, um vexame histórico para Lula. Há quem lembre que às vezes Lula costuma ser vingativo. De qualquer modo, a vaga segue aberta. E a indicação do novo nome será uma perrogativa do presidente. Ele tem uma pessoa para indicar ao Supremo. Se Moraes sofrer impeachment serão, então, dois nomes que Lula terá para indicar.
Até 2030, irão se aposentar compulsoriamente Luiz Fux (em 2028), Cármen Lúcia (em 2029) e Gilmar Mendes (em 2030). Lula é o responsável pelas indicações de Toffoli (mesmo com os atuais senões), Cristiano Zanin e Flávio Dino. Ou seja, dos 11 ministros do Supremo, somente Fachin (indicado por Dilma Rousseff), Nunes Marques e André Mendonça (indicados por Jair Bolsonaro) não seriam nomes da lavra de Lula. É um poder tentador.
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